quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Observatório

Quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Destaques dos jornais de hoje. O que merece ser lido. Se você não tem paciência ou não teve tempo para ler as notícias nos principais jornais de hoje, clique nos links logo abaixo das matérias para lê-las no clipping do Ministério do Planejamento, sem que seja necessário que se cadastre. Publicaremos esta seleção todos os dias entre 19h00 e 21h00. Nos finais de semana os links com as matérias completas serão da Radiobras, que exige cadastro.

Antecipada a briga pela vice
Carlos Chagas
Tribuna da Imprensa

A disputa acirra-se antes mesmo de realizadas as eleições municipais e de conhecidos os seus resultados: PMDB, de um lado, e pequenos partidos aliados do governo, de outro, já se engalfinham para indicar o candidato à vice-presidência da República na chapa de Dilma Rousseff. Ou, como alternativa meio malandra, para ocuparem o mesmo lugar numa hipotética, mas cada vez mais viável candidatura do presidente Lula a um terceiro mandato. O prêmio parece apetitoso, num caso ou no outro. O PMDB já começou a triagem, tendo como possíveis indicados os governadores Sérgio Cabral e Roberto Requião, os ministros Nelson Jobim e Edison Lobão, o deputado Michel Temer, que nesse caso até abriria mão de candidatar-se à presidência da Câmara e, fechando o círculo, por que não o presidente do Senado, Garibaldi Alves? Do lado dos pequenos partidos da base oficial, uma candidatura sobressai, a do deputado Ciro Gomes, que no último fim de semana admitiu publicamente a possibilidade. Decidirá a questão o presidente Lula, mas no momento certo, ou seja, lá para o final do ano que vem. As preliminares, porém, já estão postas. Açodadamente, sem dúvidas, mas dentro da lição daquele velho provérbio árabe, de que bebe água limpa quem chega primeiro na fonte. Começando pelo começo, como diria o saudoso Chacrinha.
Carlos Chagas

Você conhece a Bolívia?
Maria Teresa Dal Moro
Tribuna da Imprensa


Impossibilitada de comunicar-me com familiares pelas dificuldades telefônicas com a Bolívia, valho-me da internet e da imprensa para saber a real situação da minha cidade natal, Cobija, onde as reações antigovernistas parecem mais graves. Cobija fica à beira do Rio Acre, que, na minha infância, atravessava-se em canoas para ir a Brasília (seu nome primitivo antes da nova capital mudá-la para Brasiléia). Hoje se atravessa a pé e o estado produz muita soja. Toda vez que escrevem sobre a pobreza do povo da Bolívia, é sempre bom esclarecer que pobreza não é miséria. Em termos de alimentação, talvez seja o mais bem nutrido do continente. Em Cochabamba, por exemplo, há uma feira dominical com mais de 30 tipos de batatas. Entre as mais saborosas há uma que se põe no forno com casca e ela se abre como uma pipoca e logo condimenta-se com azeite e orégano. A melhor cerveja do continente foi lançada no Brasil no ano de seu centenário, mas os monopólios a tiraram de circulação.
Opinião

ONU, direitos humanos e a tortura terceirizada
Argemiro Ferreira
Tribuna da Imprensa


Num dos capítulos do livro "O Império Contra-Ataca - As guerras de George W. Bush, antes e depois do 11/9", lançado há quase quatro anos pela editora Paz e Terra, contei a história do cidadão canadense Maher Arar, sírio de nascimento, e de outras vítimas do assalto às liberdades civis nos EUA durante o governo Bush - e em especial no período do procurador geral e ministro da Justiça John Ashcroft. Ironicamente, o caso de Arar reapareceu na mídia internacional no mesmo momento em que o presidente George W. Bush era contestado por quatro senadores de seu próprio partido - entre eles John McCain, atual candidato presidencial e ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, e John Warner, então presidente da comissão das Forças Armadas - por tentar "reinterpretar", com uma lei americana, o real significado da convenção de Genebra sobre o tratamento de presos.
Argemiro Ferreira

"Mal menor"
Mauro Braga/Fato do Dia
Tribuna da Imprensa


A falta de planejamento e de políticas eficientes por parte dos governantes é uma mal que parece não ter fim, ao menos no Brasil. Nem a desculpa da ausência de recursos pode ser usada. A carência é de estratégia e empenho. Ontem, o depoimento dado pela deputada federal Marina Maggesi à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) retratou bem o descaso dos governos anteriores em relação à atuação dos grupos paramilitares. Segundo o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (PSOL), a deputada mostrou que a polícia estava mais preocupada em combater o tráfico de drogas e que as milícias não eram prioridade das autoridades de segurança. "As milícias não eram enfrentadas e, exatamente por isso, cresceram muito nos últimos anos. Para mim, fica clara a conivência do poder público, por algum motivo, talvez o eleitoral", afirmou Freixo.
Fato do Dia

Nova competência da JT privilegia o INSS
Roberto Monteiro Pinho
Tribuna da Imprensa


Está cada vez mais difícil para a sociedade entender e aceitar o funcionamento da especializada do trabalho, diante das inúmeras injunções que assolam seu formato de justiça para o trabalhador, devido ao acúmulo de processos, sem previsão de solução, em flagrante arrepio ao preceito da Carta Magna, que garante ao trabalho remuneração digna e justa. Existem hoje na JT, 14,5 milhões de ações tramitando, e com demanda de 2,3 milhões de novas ações/ano, e 30% dessas ações percorrem um longo caminho impulsionado por recursos (ao Tribunal e TST) e se tratando de matéria Constitucional ao STF.
Roberto M. Pinho
O nível de emprego e a população do País
Pedro do Coutto
Tribuna da Imprensa


Reportagem de Cássia Almeida, "O Globo" de 22/08, com base em informações do IBGE, revela que o desemprego nas principais regiões metropolitanas brasileiras atingiu 8,1 por cento no mês de julho, superando pela margem de 0,3 por cento o patamar de junho, que era de 7,8 pontos. Esses 0,3 por cento correspondem a menos 270 mil postos de trabalho, já que a mão-de-obra ativa do País é formada, em números redondos, por 90 milhões de pessoas. Sei que as principais áreas metropolitanas como a Grande São Paulo, o Grande Rio, a Grande Belo Horizonte, Grande Salvador, Grande Recife e Grande Porto Alegre não representam a totalidade do mercado, mas apontam para uma taxa média nacional. Esta provavelmente é até maior porque, neste caso, entram em consideração as áreas rurais em que se verificam períodos de safras e entressafras. Nas entressafras, o desemprego cresce.
Pedro do Coutto

Lula puxa orelhas
Luciano Pires
Correio Braziliense

Ao abrir a Assembléia-Geral da ONU, presidente cobra ação conjunta e intervenção para controlar a crise

Falando para uma platéia de líderes mundiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem ações firmes e conjuntas do mundo capitalista capazes de fazer frente à crise financeira que sacode os mercados desde a semana passada. No discurso de abertura dos debates da 63ª Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, Lula atacou a ganância dos especuladores, criticou a falta de regras e ressaltou a ética e o papel do Estado. O presidente brasileiro citou o economista Celso Furtado para dizer que é inadmissível privatizar os lucros e socializar as perdas. “O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores”, afirmou. Segundo Lula, o estouro da bolha imobiliária americana “não será superado com medidas paliativas”.
Na ONU, Lula faz duras críticas a países ricos

Ari Cunha - Trânsito perigoso
Correio Braziliense

Vale lembrar que o trânsito em Brasília tem melhorado depois da lei seca. Mas a banda podre sempre aparece. A cidade tem avenidas largas, duas pistas, mas há momento em que os carros circulam devagar, quase parando. Nas horas de almoço ou findo o dia, há concentração de veículos na Esplanada dos Ministérios. Na estrutural, além de lento, o trânsito paralisa. É triste para o motorista viajar a 30km ou a 40km e parar de vez em quando pelo excesso de carros. Nós pagamos IPVA caro, e não somos beneficiados. O dinheiro entra nos cofres do governo e não serve ao trânsito. A multas são pesadas, mas não aplicadas na facilidade das pistas. Falta intervenção do dinheiro do governo federal. São Paulo está parada. Mas Brasília bem pode dar o exemplo e saltar para o progresso. Não se deve esperar para chegar à situação do trânsito paulistano, que tem 800km de pistas para carros. E é comum vermos que há momentos em que quase a sexta parte dos veículos fica sem andar. O mesmo acontece em outras cidades, como Recife, Salvador e Rio, mas o povo não luta pela melhora. Se levantar a cabeça, vai entender que ele pode e deve lutar por direito que lhe pertence e é negado pelo governo.
Ari Cunha - Trânsito perigoso

Brasil S.A - Pesadelo sem fim
Correio Braziliense

Se nem os masters do universo sabem estimar o buraco, o investidor tinha mesmo que puxar o carro

A vidraça rachou no sistema financeiro mais desenvolvido do mundo — e desta vez não há digitais do Brasil, como de nenhuma economia emergente, os suspeitos de sempre de toda crise econômica desde o final da II Grande Guerra. Muita gente bem-pensante torceu o nariz para a puxada de orelha nos especuladores aplicada pelo presidente Lula ao abrir a assembléia geral das Nações Unidas em Nova York, o que ele fez, no entanto, com elegância e precisão.
Brasil S.A - Pesadelo sem fim

Brasília-DF - Funasa em xeque
Correio Braziliense

Quando os congressistas voltarem ao trabalho daqui a duas semanas encontrarão uma guerra deflagrada entre o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde. É que a nova Secretaria de Atenção Primária e Promoção da Saúde tomará da Funasa, além da saúde indígena, praticamente todos os projetos da área de saneamento. Junto com esse setor, irá grande parte dos R$ 4 bilhões que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinou à Fundação. A briga principal será entre PT, a quem o governo reservou a nova secretaria, e o PMDB, que cuidará da parte dos hospitais. Em tempo: desde que perdeu o Ministério da Saúde e a Funasa para os peemedebistas que o PT tenta a todo custo retomar, pelo menos, a fundação. Agora, pelo visto, vai conseguir. À Funasa restará cuidar da dengue e administrar os mata-mosquitos.
Apelou, perdeu
Os ataques de Geraldo Alckmin ao prefeito-candidato Gilberto Kassab (DEM) levaram muitos tucanos para o interior do estado. Deputados federais e estaduais que têm votos na capital preferiram ficar fora para não dizer que compactuam com as agressões.
É por aí…
Nas conversas que tem tido com os peemedebistas, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, não se cansa de defender o modelo norueguês de uma empresa estatal para cuidar das licitações de megacampos petrolíferos. A “hora da política” a que Lula se referiu no discurso feito ontem na ONU vale não só para a crise, mas também para as áreas que alavancam o crescimento, como o petróleo. Portanto, estará cada vez mais presente nesta discussão sobre como explorar os campos do pré-sal.
…mas só depois
Ontem, não foi possível fechar o modelo até porque o ministro estava com o governador de São Paulo, José Serra, cuidando das concessões das hidrelétricas da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). E o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, está em Nova York. Ficou tudo para a semana que vem.
Brasília-DF - Funasa em xeque

“Aviso prévio” nos gabinetes do Senado
Leandro Colon
Correio Braziliense

Demorou, mas Garibaldi resolveu enviar ofício aos senadores cobrando a demissão de familiares lotados na Casa. Para Gilmar Mendes, cabe ao MP investigar quem não cumprir a determinação. Os senadores perderam uma boa desculpa para manter os parentes empregados nos gabinetes. Agora, não podem mais argumentar a ausência de um comunicado oficial sobre o assunto. Um mês depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir esse tipo de contratação, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), enviou, enfim, um aviso prévio aos colegas. Ele remeteu um ofício a todos os senadores informando a decisão dos ministros e deu um prazo para que os familiares sejam exonerados até 10 de outubro.
“Aviso prévio” nos gabinetes do Senado

MP quer ouvir Lacerda e Protógenes
Ricardo Brito e Marcelo Rocha
Correio Braziliense

Interrogatório de diretor afastado da Abin e de delegado que comandou a Operação Satiagraha visa esclarecer quem são os autores da interceptação da conversa entre presidente do Supremo e senador


A Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) interrogará o delegado Paulo Lacerda, diretor afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), dentro da apuração que tem o objetivo de identificar como ocorreu o grampo da conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demostenes Torres (DEM-GO). Os procuradores também querem ouvir Protógenes Queiroz, delegado que presidiu o inquérito da Operação Satiagraha.
MP quer ouvir Lacerda e Protógenes

Dependência maior
Vicente Nunes
Correio Braziliense

Investimento estrangeiro é essencial para contas externas do país

O Brasil vai precisar cada vez mais de capital estrangeiro para fechar as contas externas. Dados divulgados ontem pelo Banco Central indicam que o rombo nas transações correntes do país com o exterior neste ano será maior do que o previsto e crescerá ainda mais em 2009, ano que se espera forte escassez de capitais devido aos estragos provocados pelo estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, as estimativas de déficit em 2008 passaram de US$ 21 bilhões para US$ 28,8 bilhões, número que, se confirmado, será o maior desde 1998, último ano em que o Brasil operou com o sistema de câmbio fixo. Para o ano que vem, as previsões são de um buraco de US$ 33,1 bilhões, o correspondente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas em um ano pelo país.
Em meio à crise, Brasil fica mais vulnerável

Não se ganha de véspera
Coluna - Nas Entrelinhas
Correio Braziliense

Serra e Aécio, à frente dos governos de São Paulo e Minas, se mantêm como pólos alternativos de poder, apesar do enorme prestígio de Lula

Governo bem avaliado, popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas alturas. Nada, porém, está decidido em relação à sucessão de 2010. Pesquisas de opinião mantêm o favoritismo do governador paulista José Serra (PSDB) para as eleições presidenciais. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), a preferida de Lula, ainda não decolou como possível candidata oficial.
Transferência
É ilusão pensar, porém, que o presidente Lula não tem capacidade de transferência de voto. Tem o suficiente para consolidar e impor o nome de Dilma às lideranças petistas, que relutam em apoiar um quadro sem experiência eleitoral, nem tradição de militância partidária. E também para convencer os aliados dessa opção, deslocando a candidatura do deputado Ciro Gomes(PSB), que continua sendo o nome de maior densidade eleitoral na base governista para disputar a sucessão de Lula. Entretanto, a pesquisa do instituto Sensus, divulgada na segunda-feira, mostra a chefe da Casa Civil atrás de todos os demais possíveis candidatos, do governador mineiro Aécio Neves (PSDB) à ex-senadora Heloísa Helena (PSol).
Não se ganha de véspera

Clóvis Rossi - Lula, a idéia certa, tarde demais
Folha de S. Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou no diagnóstico, mas errou no "timing", em seu discurso de ontem na ONU.


Lula disse que "chegou a hora da política". Sempre foi hora da política, mas os políticos, inclusive Lula, demitiram-se da tarefa de pensar e executar políticas públicas que contrariassem os mercados, ainda que minimamente. Logo, a proposta chega tarde. Sugerir que a ONU se incumba de "uma resposta vigorosa" à crise é, de novo, uma tese generosa e eventualmente correta. Mas inviável. Basta lembrar que, no ano passado, na cúpula do G8, a Alemanha queria discutir alguma resposta (modesta) à desregulamentação dos mercados financeiros, mas os Estados Unidos vetaram. Lula, que participou do último dia daquela cúpula, não foi nem ouvido nem cheirado. Supor que, agora, os Estados Unidos (e os demais grandes) se dignem a sentar pacientemente com os 191 outros países-membros da ONU para ouvi-los e chegar a uma resposta "vigorosa" é acreditar em Papai Noel. Além disso, se algum governante -de país rico, de país pobre ou de país emergente- tivesse alguma proposta "vigorosa" a apresentar, já o teria feito ou, ao menos, teria a obrigação de tê-la feito nos incontáveis foros internacionais que se sucedem uns aos outros e produzem toneladas de palavras e nenhuma ação, nenhuma. Por falar nisso, qual é a proposta de Lula?
Clóvis Rossi - Lula, a idéia certa, tarde demais

Justiça extingue ação contra militar acusado de tortura
LILIAN CHRISTOFOLETTI
Folha de S. Paulo

Família de jornalista morto durante a ditadura ainda pode recorrer da decisãoAção solicitava que Carlos Alberto Brilhante Ustra fosse declarado culpado pela morte de Luiz Eduardo da Rocha Merlino em 1971


A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo votou ontem pela extinção do processo movido pela família do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto durante o regime militar (1964-1985), contra o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça. Na ação, iniciada em abril, a cientista social Angela Mendes de Almeida, que foi mulher de Merlino, e a irmã do jornalista, Regina Merlino de Almeida, pedem que o militar seja declarado culpado pela morte do jornalista aos 23 anos, em julho de 1971, no interior do DOI (Destacamento de Operações de Informações), unidade do Exército comandada por Ustra. A ação é declaratória, ou seja, não prevê indenização nem punição criminal, mas uma declaração formal da Justiça. O pedido da família foi acolhido pelo juiz de primeira instância. Contrariado, Ustra recorreu ao TJ para anular o processo. Alegou que, com a Lei de Anistia, de 1979, não é possível abrir processo punitivo. Por dois votos a um, a 1ª Câmara de Direito Privado do TJ acolheu o pedido do militar e declarou extinta a ação.
Justiça extingue processo contra coronel Ustra


Mónica Bérgamo - AFIADO
Folha de S. Paulo

A campanha de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) deve manter por alguns dias ainda no ar o anúncio de TV em que associa Gilberto Kassab (DEM-SP) aos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta -a quem o atual prefeito apoiou no passado. "As pesquisas qualitativas mostram que o efeito tem sido muito bom", diz o deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), coordenador da campanha.
Mónica Bérgamo - AFIADO

Mercado Aberto - Brasil será principal destino de investimento da AL em 2009
Folha de S. Paulo

Em um momento de desaceleração econômica global, o Brasil deverá ser o principal destino de investimentos de empresas latino-americanas em 2009, de acordo com pesquisa da consultoria KPMG divulgada ontem. De 140 executivos de multinacionais da região, 21% declararam intenção de investir no país no ano que vem. Em seguida, apareceram os Estados Unidos e a Argentina, ambos com 19% das intenções. No contexto de fraco desempenho econômico nos países desenvolvidos, os investidores voltam os olhos aos emergentes. E, no caso do Brasil, o acesso a um mercado consumidor crescente e a maior estabilidade política surgem como os principais atrativos, afirma Diogo Ruiz, sócio-responsável pela Prática de Impostos da KPMG no Brasil. Embora haja consenso de que haverá um período, ao menos até o ano que vem, de escassez de oferta de crédito externo e baixa nos investimentos, o Brasil surge como alternativa aos grupos empresariais que ainda dispõem de maior liquidez e estão dispostos a investir. "Pode ser que haja um enxugamento, mas, de qualquer maneira, sempre haverá a necessidade de aplicação. Com a crise lá fora e o grau de investimento no Brasil, há uma canalização natural de recursos para cá", afirma Ruiz. O Brasil terá uma vantagem comparativa em relação a outros países, o que não significa que o aporte de capital no país será maior. Ao contrário, a previsão é que haja queda no investimento direto estrangeiro. De acordo com a RC Consultores, o volume de capital externo no Brasil deverá alcançar US$ 38 bilhões em 2008. Para o ano que vem, o montante deve cair para algo entre US$ 25 bilhões e US$ 28 bilhões.
Mercado Aberto - Brasil será principal destino de investimento da AL em 2009

Painel - Rádio-escuta
Folha de S. Paulo

Horas antes de comunicar à CPI dos Grampos da Câmara que daria W.O. hoje, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Felix, enviou um emissário ao Senado para buscar cópia das notas taquigráficas de seu depoimento à Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, realizado no dia 9 passado. Integrantes da CPI associaram o recuo do general ao conteúdo da sigilosa lista de equipamentos da Abin e do Exército que chegou ontem ao Congresso. Ele foi o primeiro a dizer que a agência não tem maletas de grampo, abrindo crise com Nelson Jobim, que afirmou o contrário e depois contemporizou. A lista remetida à CPI saiu do gabinete do ministro da Defesa.
Sombra
Titular da secretaria de Educação de Recife, de onde partiram os e-mails com conteúdo de campanha que resultaram na cassação do candidato do PT, João da Costa, Maria Luiza Alessio é da cota pessoal de João Paulo e uma das pessoas mais fortes de sua administração. O partido avaliava ontem que, se o caso chegar a ela, atingirá também o prefeito, estrela ascendente no petismo.
Jurisprudência
A linha de defesa do PT nacional será dizer que a lei é vaga quanto ao uso de e-mails corporativos e que "nunca antes" houve cassação de candidatura por tal motivo. O primeiro precedente a ser lembrado é o do e-mail enviado por Gilberto Kassab (DEM) a subprefeitos paulistanos pedindo "uma ação" durante campo do Datafolha.
É...
Geraldo Alckmin (PSDB) se referiu à campanha de Kassab, na sabatina da Folha, como "os nossos adversários". Já Marta Suplicy (PT) foi chamada de "a outra candidata".
...ou não é?
Em entrevista à Folha na véspera da convenção tucana, Alckmin declarou: "O Kassab não é meu adversário. Ele é competidor, no primeiro turno. No segundo vamos estar todos juntos".
De ninguém
Depois de martelar que Kassab "não é do PSDB", a campanha de Alckmin tentará caracterizar que o prefeito também "não representa o DEM". Existiria apenas "a turma do Kassab", composta pelo próprio e por tucanos "traíras", como diz o deputado José Aníbal.
Fui
Duda Mendonça deixou definitivamente Antônio Imbassahy em Salvador. Em declínio, o tucano vinha desgostoso com o marqueteiro, que pilota várias campanhas ao mesmo tempo e à distância.
Atestado
Às voltas com a crise dos grampos em Brasília, Nelson Jobim (Defesa) encontrou tempo para estrelar a propaganda de Anderson Adauto. O peemedebista, envolvido no escândalo do mensalão, tenta a reeleição em Uberaba. O ministro da Defesa recomenda o voto porque Adauto "sabe fazer".
Genérico
Em mais um expediente criativo para faturar a aprovação ao governo federal, o candidato Oswaldo Dias (PT) apresenta hoje, com a presença do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), o seu "PAC Mauá", conjunto de promessas de obras para o município da Grande SP.
Painel - Rádio-escuta

BNDES está "equipado" contra escassez de crédito, afirma Luciano Coutinho
PAULO DE ARAUJO
Folha de S. Paulo

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou ontem que o banco de fomento conta com "funding" suficiente até a primeira metade de 2009 para fazer face à escassez de crédito internacional. Segundo ele, o BNDES trabalha hoje com "folga" de caixa, após receber empréstimo de R$ 15 bilhões do Tesouro. Neste ano, os desembolsos do banco devem atingir R$ 85 bilhões.
"O BNDES está equipado para enfrentar as circunstâncias. Estamos confiantes em que vamos conseguir suprir parte da necessidade para manter o investimento em curso", disse Coutinho, após reunião do Fórum Nacional da Indústria. A questão agora é garantir capital ao banco a partir do segundo semestre do ano que vem. Para ele, não há necessidade de recorrer novamente ao Tesouro em busca de recursos. Coutinho mencionou a formação de um fundo complementar para capitalizar o BNDES, mas não deu detalhes. Afirmou que não há motivo para um desaceleração mais "aguda" da economia em função da crise internacional. Para ele, o crescimento do Brasil em 2009 deve ficar acima de 4%.
BNDES está "equipado" contra escassez de crédito, afirma Luciano Coutinho

Eletrobrás lança projeto para o rio Tapajós
Folha de S. Paulo

A Eletrobrás revelou ontem projeto para construção de um complexo de usinas na bacia do rio Tapajós, entre os Estados do Amazonas e do Pará. A novidade será a criação de uma "plataforma" de geração hidrelétrica em que serão agregados cinco usinas hidrelétricas com potência instalada de 10.680 MW e volume de energia firme de 5.816 MW médios -1.600 MW médios maior do que as usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira. Os inventários na região do Tapajós indicavam potencial de 14.000 MW. A redução foi feita para melhorar a receptividade do empreendimento entre as autoridades ambientais. O investimento estimado é de R$ 31 bilhões. A proposta foi apresentada ontem, em São Paulo, pelo presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes.
Eletrobrás lança projeto para o rio Tapajós

Especialistas debatem criação de estatal para o pré-sal
Folha de S. Paulo

A Folha promove amanhã, às 18h30, debate sobre a proposta de criação de estatal para cuidar do petróleo dos megacampos da região do pré-sal. Os interessados em assistir ao debate ainda podem se inscrever. O evento integra o ciclo "Folha debate o pré-sal". Participam da discussão de amanhã o engenheiro David Zylbersztajn, que foi o primeiro diretor-geral da ANP, o geólogo Ivan Simões, coordenador do Comitê de Exploração e Produção do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo) e vice-presidente da British Petroleum, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da FGV e ex-ministro da Ciência e Tecnologia (governo FHC), e o físico Luiz Pinguelli Rosa, da UFRJ e ex-presidente da Eletrobrás. O evento será realizado a partir das 18h30 no auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, SP). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas hoje pelo telefone 0/xx/11/3224-3698, das 14h às 19h, ou pelo e-mail eventofolha@folhasp.com.br. É preciso informar nome completo, RG e telefone.
Especialistas debatem criação de estatal para o pré-sal

FBI investiga possível fraude em 4 empresas ligadas à crise
Folha de S. Paulo

O FBI (a polícia federal americana) está investigando possível fraude em Fannie Mae, Freddie Mac, AIG e Lehman Brothers, empresas que recentemente foram resgatadas pelo governo dos EUA ou pediram concordata, em meio à crise que toma conta dos mercados. As investigações ainda estão em um estágio preliminar e irão priorizar as instituições financeiras e as pessoas que as comandavam, disse autoridade policial que preferiu que seu nome não fosse revelado porque o caso está ainda no início. Segundo as autoridades americanas, com as quatro empresas, já são 26 as instituições de Wall Street que estão sob investigação neste ano. Procurados, AIG, Fannie Mae e Freddie Mac não se pronunciaram. Um porta-voz do Lehman Brothers afirmou que não tinha comentário no momento.
FBI investiga possível fraude em 4 empresas ligadas à crise

Erros contra ou a favor

Ruy Castro
Folha de S. Paulo

De repente, jornais e revistas deram para escrever que tal livro ou peça "é sofrível", querendo dizer que é péssimo, chatérrimo -que faz o espectador sofrer. Mas "sofrível", como sabem os que não faltaram àquela aula, significa o contrário. É o que, não sendo grande coisa, ainda é suportável. Ou, segundo o "Aurélio", "razoável; acima de mediano". Enfim: sofrível. Outra mania é a de chamar um filme de "longa". Como se houvesse um surto de "curtas" na praça, a ponto de se precisar distingui-los dos filmes comuns, de uma hora e meia, classificando estes de "longas". Mas longas de verdade eram "E o Vento Levou", "El Cid" ou "Cleópatra", com três, quatro horas de duração, e mais o "Canal 100". Sei de gente que morreu de velhice durante a sessão. E morreu feliz.
Erros contra ou a favor

Fiducia
Antonio Delfim Netto
Folha de S. Paulo

Os equilíbrios na economia podem ser instáveis e diferem dos que ocorrem no mundo químico, por exemplo, no qual duas moléculas de hidrogênio adequadamente combinadas com uma de oxigênio produzem uma molécula de água em São Paulo ou em Londres, no verão ou no inverno. Na economia, as "moléculas" pensam, escolhem e, no limite, se suicidam! Todo o maravilhoso mecanismo de coordenação que os homens descobriram e a economia política aperfeiçoou, que são os "mercados", repousa sobre um ingrediente catalítico invisível: a confiança. Os homens aprenderam que "confiando" uns nos outros podiam tornar mais eficiente a sua atividade. A "confiança" repousa na certeza de um comportamento apoiado em normas morais reciprocamente aceitáveis. Já em Adam Smith, na "Teoria dos Sentimentos Morais" (1759), o homem trazia no peito o "espectador imparcial". Quando, por qualquer motivo, se destrói a "confiança" entre os participantes do mercado, desaparece instantaneamente a trama invisível de coordenação produzida por ela. O valor relativo dos ativos de cada um (que só existe porque ele reconhece o valor relativo dos outros) desaparece. Conseqüentemente, deixam de funcionar os mercados e estiola-se a atividade econômica. Foi isso o que aconteceu com a crise que se convencionou chamar "dos subprimes". Ela revelou ser apenas a ponta de um enorme iceberg construído em um mercado financeiro sem moralidade ínsita e estimulado por incentivos perversos. No fundo, a confiança do "principal" (o poupador) foi traída pelo seu "agente" (o sistema financeiro), que lhe garantia ter "modelos" científicos para estimar retornos e riscos na aplicação de suas poupanças. Usando uma complicada alquimia e expedientes contábeis (e explorando, também, a cupidez do aplicador), construiu-se, sob os olhos fechados e o nariz insensível dos bancos centrais, uma pirâmide de papel que se queimaria ao menor sintoma da falta de confiança. Não houve nem o controle da moralidade implícita no "espectador imparcial" nem a explícita imposta pelos bancos centrais.
Fiducia


Plano Paulson não é solução
MARTIN WOLF DO "FINANCIAL TIMES"
Folha de S. Paulo

Proposta prevê aquisição de maus ativos por valor muito superior ao justo

Momentos de desespero requerem medidas desesperadas. Mas lembrem-se, igualmente, de que decisões apressadas podem terminar ditando a forma do sistema financeiro por uma geração. A rapidez é essencial. Mas acertar quanto ao novo regime a ser adotado, também. Sem dúvida a crise há muito passou do estágio no qual os governos poderiam deixar ao setor privado a responsabilidade por se salvar, com apenas uma pequena ajuda dos bancos centrais. Para os EUA, o resgate ao Bear Stearns foi o momento em que essa opção desapareceu. Mas os acontecimentos das últimas semanas -o resgate a Fannie Mae e Freddie Mac, a quebra do Lehman Brothers, a venda do Merrill Lynch, o resgate à AIG, a fuga para a segurança e a decisão pelo Morgan Stanley e pelo Goldman Sachs de que se tornarão holdings bancárias sujeitas ao regime regulatório- tornam inevitável uma solução abrangente. O público dos EUA quer ação.
Plano Paulson não é solução

Sem educação não há milagres
Arnaldo Niskier
Folha de S. Paulo

Se um ministro se equivoca em certa medida, merece a crítica isenta. Se acerta, faz-se credor do elogio. É o caso de Fernando Haddad


Ser justo é uma obrigação do articulista. Se um ministro se equivoca em determinada medida, merece a crítica isenta. Se ele acerta, faz-se credor do elogio. É o caso do ministro Fernando Haddad (Educação). Ia enveredando por um caminho tortuoso na discussão em torno do ensino profissional. Fez um bom acordo com o Sistema S -e todos ganharam. Agora, com a criação do IGC (Índice Geral de Cursos), um medidor da qualidade do ensino superior brasileiro, deve ser reconhecido, sobretudo pela coragem de mexer nesse autêntico vespeiro. A poeira ainda não baixou, o que é bastante natural. Três em cada 10 instituições de ensino superior, com desempenho inadequado, terão dois anos de prazo para buscar novos caminhos que conduzam à necessária qualidade. Das 173 universidades brasileiras, 9 ficaram com a nota 2 (o máximo era 5). Serão monitoradas para melhorar o seu desempenho, o que se traduz na busca do aperfeiçoamento dos seus professores, melhores laboratórios, bibliotecas atualizadas e uma disposição que lhes será cobrada pela sociedade.
Sem educação não há milagres

Morales acusa EUA de darem apoio a golpe
Folha de S. Paulo

O presidente Evo Morales acusou ontem o governo americano de apoiar golpistas na Bolívia, ao discursar na Assembléia Geral da ONU. No início do mês, Morales expulsou o embaixador dos EUA. "Gostaria de ouvir representantes do governo americano rejeitando esses atos de terrorismo", disse, em referência aos bloqueios rodoviários e ações contra a infra-estrutura gasífera realizados pela oposição a partir de meados de agosto. "Mas eles são aliados, claro que não haverá condenação", completou o boliviano, que elogiou o papel da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) na crise. Na Bolívia, grupos pró-Morales desbloquearam ontem as estradas para a capital do departamento de Santa Cruz -bastião oposicionista. "Não queremos dar motivos à direita para que abandone o diálogo", disse o líder sindical Asterio Romero.
Morales acusa EUA de darem apoio a golpe

Primeiro Plano - BC prevê déficit de US$ 28,8 bi
Simone Cavalcanti
Gazeta Mercantil

O Banco Central reviu a estimativa de déficit em transações correntes deste ano, elevando-a de US$ 21 bilhões para US$ 28,8 bilhões. Em 2009, o rombo previsto será ainda maior: US$ 33,1 bilhões.

Governo divulga projeções distintas para balança comercial
Duas projeções distintas, um mesmo governo. A impressão que dá é que não há o mínimo de comunicação entre setores que têm contas diretamente ligadas. No mesmo dia, Banco Central e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) divulgaram novas estimativas para as exportações brasileiras diante do recente panorama envolvendo a queda das cotações das commodities e a desaceleração da economia mundial. Enquanto para a autoridade monetária as vendas ao exterior podem chegar a US$ 198 bilhões até o final do ano, para o Mdic, é possível chegar a US$ 202 bilhões. Especialistas consultados dizem acreditar que o objetivo mais arrojado é bem factível de ser alcançado. "Para este ano, já há muita venda contratada que, por esse motivo, independem da conjuntura internacional", diz André Sacconato, da equipe de economistas da Tendências Consultoria Integrada. José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), complementa lembrando que os técnicos do ministério levaram em conta que, daqui por diante, a média diária dos embarques será de US$ 780 milhões, bem inferior aos US$ 930 milhões registrados atualmente.

Primeiro Plano - BC prevê déficit de US$ 28,8 bi

ANP planeja outros leilões de biodiesel
Fabiana Batista
Gazeta Mercantil

Já com dificuldades financeiras, a Brasil Ecodiesel teve nesta semana cancelados seus contratos de biodiesel dos leilões 10 e 11 da Agência Nacional de Petróleo (ANP), punição ocorrida por conta da inadimplência nos leilões 9 e 10. Assim, a empresa deixará de vender 66,6 milhões de litros de biodiesel. Também foram cancelados pela agência contratos da Renobras (MT) que também atrasou entregas, que deveria ter ocorrido entre julho e 31 deste mês. "As empresas que não entregarem 50% do produto por quatro semanas seguidas estão sujeitas ao cancelamento. E foi o que ocorreu", explica Edson Silva, superintendente de Abastecimento da ANP.
Primeiro Plano - BC prevê déficit de US$ 28,8 bi

Governo de Goiás assume dívida de R$ 1,35 bi da Celg

Gazeta Mercantil

O governo de Goiás deu um importante passo para recuperar a sua empresa estatal de distribuição de energia elétrica, a Companhia Energética de Goiás (Celg), ao assinar ontem, com o Ministério da Fazenda, acordo de revisão do Programa de Ajuste Fiscal, que também permitirá ao estado fazer operações de captação de R$ 500 milhões para investimento em infra-estrutura (rodovias) e educação (escolas). O acesso a este crédito implica no cumprimento de metas fiscais durante três exercícios financeiros. Entre as metas, redução da dívida com o Tesouro e o controle das despesas correntes. O acordo, assinado com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e anunciado ontem pelo governador Alcides Rodrigues (GO-PP), também levou o estado a assumir dívida de R$ 1,353 bilhão da Celg - débito nunca lançado pelo governo na contabilidade oficial - e restabelecer a normalidade financeira da estatal, hoje inadimplente com o sistema elétrico.
Governo de Goiás assume dívida de R$ 1,35 bi da Celg

PMDB tenta acordo interno e se reorganiza no governo
Márcio Falcão
Gazeta Mercantil

A eleição para as presidências da Câmara e do Senado deve provocar mudanças internas no PMDB, maior partido do País. Para sustentar a volta do presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP), ao comando da Câmara, em fevereiro de 2009, peemedebistas colocaram em jogo cargos na direção do partido, as lideranças nas duas Casas e até ensaiam dar fôlego a uma reforma ministerial. A dificuldade vai ser afinar os discursos entre os diretórios regionais e conciliar os desejos das diversas correntes. O principal ponto da proposta lançada pelo grupo de Temer prevê que com a sua chegada à cadeira máxima da Câmara, a presidência do PMDB seria entregue ao deputado Eunício Oliveira (CE). Outros cargos na estrutura da Fundação Ulisses Guimarães - é provável que a direção continue nas mãos do deputado Eliseu Padilha (RS) - e da Executiva do partido também devem enfrentar substituições. Na tentativa de conquistar apoio para Temer, ainda foram pensadas trocas para as lideranças do PMDB na Câmara e no Senado. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), atual líder, poderia conquistar um posto no Executivo, enquanto no Senado, o ex-presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), seria reconduzido a liderança - o que poderia atrair votos do segmento do partido ligado ao senador José Sarney (AP) e reforçar o cumprimento de um acordo entre o PMDB e o PT na Câmara ainda no ano passado. Por esse entendimento, o PMDB apoiou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para o biênio 2007-2008 e agora, seria a vez de os petistas retribuírem.
PMDB tenta acordo interno e se reorganiza no governo

Redistribuição de ministérios exclui Temporão
Gazeta Mercantil

Tão logo as eleições municipais terminem, a ala governista do PMDB vai colocar na mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua proposta de reforma ministerial. Trata-se de uma reengenharia na fatia da Esplanada que já pertence à maior legenda da base de sustentação do governo no Congresso, pensada para recompor os cargos com vistas na sucessão do comando das duas Casas do Legislativo e ampliar os quadros do partido no segundo escalão do governo. O Ministério da Saúde, que administra orçamento de R$ 52,5 bilhões, é o principal alvo da sigla. Além de uma fatia polpuda no Orçamento Geral da União, a Saúde tem outros motivos para despertar a cobiça do partido. Atual comandante da pasta, o ministro José Gomes Temporão é visto na cúpula do PMDB como excessivamente "individualista". No jargão político, isso quer dizer, entre outras coisas, que Temporão, indicação endossada pela bancada carioca do partido no início do segundo mandato de Lula, não cumpriu as expectativas do PMDB na distribuição de cargos.
Redistribuição de ministérios exclui Temporão

Avanços da economia real mantêm País fora da crise
editorial
Gazeta Mercantil

Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) reafirmou as expectativas de que em 2008 o volume de contratações alcance R$ 30 bilhões e o número de unidades financiadas ultrapasse 300 mil. É possível avaliar a relevância desses dados comparando-os com os de 2007, quando o total contratado foi de apenas R$ 18,2 bilhões. Este é um exemplo bem concreto da reação da economia real em relação às turbulências do mercado financeiro. Em outras palavras: se incorporadoras listadas na Bovespa começaram a rever planos de lançamentos sugeridos aos investidores o volume de financiamento imobiliário já contratado indica que as expectativas em torno da aquisição da casa própria não registra desaceleração.
Avanços da economia real mantêm País fora da crise

O grito de gol acorda o gigante
Ana Maria Géia
Gazeta Mercantil

Finalmente, parece que o gigante adormecido resolveu despertar. A duras penas, se assim pode-se dizer. Precisou o Brasil ser palco, em menos de dez meses, de duas tragédias aéreas que provocaram a morte de 342 pessoas - 154 no vôo 1907 da Gol e 188 no do Airbus da TAM, 12 em solo - e de um caos aéreo sem precedentes para colocar na mesa a discussão do problema dos aeroportos. A tragédia desnudou as entranhas do sistema e deixou claros também os cacoetes oficiais, sinônimos de revoltantes indiferenças. Nada disso foi bastante para sensibilizar as autoridades. Mas chegou a hora de um novo trunfo e o "País do futebol" teve de se render à mais recente evidência: se não cuidar com urgência da reformulação de seu sistema aeroportuário, o Brasil pode perder o direito de realizar a Copa do Mundo de 2014. Na esteira, o Rio de Janeiro também perderia pontos na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.
O grito de gol acorda o gigante

Impasse sobre ajuda aumenta nervosismo nos mercados
Jornal do Brasil

O plano de socorro de US$ 700 bilhões para conter a crise econômica nos Estados Unidos continuou enfrentando resistências ontem, e fez despencar novamente os negócios nas bolsas de valores. A Bovespa caiu 3,78% depois de perder, na véspera, 2,86%. A esperança de uma solução rápida e contundente para evitar o efeito dominó no sistema financeiro dos Estados Unidos voltou a perder força ontem, arrastando os mercados acionários, inclusive a Bovespa, para baixo pelo segundo dia. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,831 na venda, em alta de 2,17%. Nas casas de câmbio, o dólar turismo foi negociado a R$ 1,970, com avanço de 2,60%. A moeda já acumula alta de 12,07% no mês. O mercado voltou a ficar nervoso com as dificuldades para que a Casa Branca consiga aprovação do pacote bilionário para enfrentar a crise dos créditos subprime.
EUA exportam queda nas bolsas

Equador intervém na Odebrecht
Jornal do Brasil

O presidente do Equador, Rafael Correa, interveio ontem em todos os investimentos da construtora brasileira Odebrecht no país, em meio a uma disputa envolvendo a construção e a paralisação da hidrelétrica San Francisco, que custou US$ 338 milhões. Presidente proibiu a saída do país dos funcionários da construtora e militarizou as obras. O presidente de Equador, Rafael Correa, ordenou ontem que o Estado assuma os milionários projetos concessionados à construtora brasileira Odebrecht no país, em meio a uma disputa envolvendo uma hidrelétrica que pode azedar as relações entre os dois países sócios. Segundo um decreto presidencial que efetiva a medida, o líder nacionalista também ordenou a militarização dos projetos a cargo da empresa e a proibição da saída do país dos funcionários da construtora.
Equador toma bens de empresa do Brasil

Informe JB - Linha de crédito para os ônibus
Jornal do Brasil

Um plano de DIRETRIZES para o trânsito já foi enviado para o Congresso, e espera-se para depois das eleições que deputados formem uma comissão especial para analisá-lo. O Ministério das Cidades quer amenizar o problema do tráfego até a Copa de 2014. O plano inicial é usar campanhas para incentivar o transporte coletivo mas, também, fomentar o setor para que seja atrativo. Haverá uma linha de crédito no BNDES para que empresas de ônibus possam renovar as frotas. Outro ponto é a proibição de construção de estacionamento, subterrâneo ou em edifício, nos centros das cidades ­ na contramão, o prefeito Cesar Maia adiantou-se e já construiu dois megas no Rio. A idéia do ministro Márcio Fortes é frear "o deslocamento individual" de pessoas para o Centro.
Inimigos mesmo
Em Natal (RN), sexta passada, o presidente Lula confidenciou a amigos o que falou pouco no palanque: voltará à cidade em 2010, quantas vezes for preciso, para tentar reeleger a governadora Wilma (PSB) e o senador Garibaldi Alves (PMDB). Lula não engole o senador Agripino Maia (DEM).
Tô fora, tchê!
A ministra Dilma Roussef quer convencer Lula a baixar em Porto Alegre para ajudar a deputada Maria do Rosário (PT). Mas Lula não quer briga com o PCdoB de Manuela D`ávila. Muito menos com o PMDB de José Fogaça.
Informe JB - Linha de crédito para os ônibus

14 candidatos já foram mortos em oito Estados
Raphael Bruno
Jornal do Brasil

Não é apenas no Rio de Janeiro, onde as Forças Armadas auxiliam na segurança do processo eleitoral, que a violência contra candidatos preocupa. Em muitas cidades pelo interior do país, as eleições viraram caso de polícia. A 11 dias da realização do pleito, 14 candidatos a prefeito e vereador de oito Estados já foram assassinados. Evânio Paulino Feitosa (PR), candidato à prefeitura de Araguarina (MT), município localizado a 562 quilômetros da capital, Cuiabá, foi a vítima mais recente da sombria estatística. De acordo com informações da polícia militar do Estado, que não acredita em motivações políticas para o caso, Evânio foi assassinado a tiros na manhã da segunda-feira passada enquanto tentava separar uma briga. Em outros casos, contudo, a tese de crime político não está descartada. O candidato a vereador em Saboá (PE) Fernando Luiz Soares de Melo (PR) foi assassinado enquanto seguia, acompanhado do filho de 17 anos, para o comitê do partido, logo após um comício do qual fez parte. Fernando foi abordado por dois motoqueiros que, armados, os deitaram no chão e executaram o político com um tiro na nuca. Os criminosos nada fizeram ao jovem.
14 candidatos já foram mortos em oito Estados

A carapuça de Lula na medida do ministro
Artigo - Villas-Bôas Corrêa
Jornal do Brasil

E m outros tempos e costumes, a esta altura o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, estaria com o pedido de demissão pronto e assinado para entregar ao presidente Lula assim que puder ser recebido no gabinete do Palácio do Planalto. Lá é verdade que o ministro pode sair pela tangente, alegando que se enrolou num quiproquó por desinformação e que um pedido de desculpas, com o presidente boiando nas águas mansas da felicidade com a escalada dos seus índices de popularidade, a bater recordes que parecem que podem chegar à lua da virtual unanimidade, pode ser e deve ser a saída pela porta dos fundos, olhando para os lados para conferir se os abelhudos não estão na tocaia para badalar o seu momento de infortúnio.
A carapuça de Lula na medida do ministro

Dobram ações do tráfico na fronteira
Miguel Portela
O Estado de S. Paulo

Procuradoria pede mais agentes federais na região de Guaíra, mas juiz acata alegação de ‘rombo no orçamento’
As ações de traficantes de drogas, armas, munição e contrabando fizeram praticamente dobrar, nos últimos três anos, o número de flagrantes abertos pela Procuradoria da República em Umuarama (PR). Em 2007, houve 130 processos criminais, sendo 115 de Guaíra, local da chacina ocorrida anteontem que deixou 15 mortos e 8 feridos - ontem, uma das vítimas ainda permanecia internada, em estado grave. Mas a escalada da violência na fronteira não foi suficiente para a União atender ao pedido da Procuradoria para aumentar o efetivo de segurança no entorno da cidade paranaense, considerada uma das principais rotas do tráfico de drogas e do contrabando de cigarros via Paraguai.
Governo negou reforço pedido em fronteira com Paraguai

STF deve definir hoje limites de reserva pataxó
Mariângela Gallucci e Eugênia Lopes
O Estado de S. Paulo

Em uma avant-première do julgamento sobre o tamanho da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje uma ação que definirá os limites da terra indígena pataxó Caramuru-Catarina Paraguaçu, no sul da Bahia. Devem ser fixados parâmetros para as 144 ações que tramitam no STF sobre demarcações. Muito mais polêmica, a decisão sobre o tamanho e a forma da Raposa Serra do Sol começou no mês passado, mas foi interrompida por um pedido de vista do ministro do STF Carlos Alberto Menezes Direito. O relator, ministro Carlos Ayres Britto, já havia dado voto favorável à demarcação contínua. Ministros do STF comentaram posteriormente, em caráter reservado, que o voto era romântico, porque não considerava o risco de os índios decidirem sobre a sua condição política, o que decorreria do direitos dos índios à autodeterminação. Segundo fontes próximas, Ayres Britto poderá pedir vista para segurar o processo ainda mais. A inversão na ordem de julgamentos desagradou a integrantes do governo e advogados que atuam em processos sobre demarcação de terras indígenas.
Pataxós: STF decide tamanho de reserva

Celso Ming - Preço de liquidação
O Estado de S. Paulo

A perguntinha intrigante feita por esta coluna no mesmo dia em que foi anunciado o pacotão salvador do secretário Henry Paulson continua desafiando o mercado e os políticos americanos: Por que preço serão comprados os títulos micados em poder dos bancos? Em depoimento no Congresso, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, deu ontem duas dicas. A primeira: os preços serão mais próximos do seu valor de face (hold-to-maturity prices) do que os que prevaleceram na marcação a mercado (valor de mercado). E, segunda dica, serão realizados leilões reversos que definirão os deságios: o Tesouro apresentará determinada quantia em dinheiro e os bancos definirão o que pretendem repassar àquele valor.
Celso Ming - Preço de liquidação

Dora Kramer - Afagos de resultados
O Estado de S. Paulo

Regra geral, o presidente Luiz Inácio da Silva poderia ser menos áspero no uso das palavras. Mas não deixa de ter razão quando chama de “hipócritas” e “oportunistas” os políticos que fazem oposição para as câmeras das emissoras do Congresso e, na hora de ir às ruas pedir votos, são lulistas desde criancinhas. Se o presidente não estivesse nadando de braçada na avaliação popular, os que hoje se aconchegam para tirar proveito da situação certamente estariam procurando manter dele uma prudente e amazônica distância. Como de resto parte permaneceu no ataque durante o primeiro mandato até depois da crise do mensalão, quando ainda não era claro se haveria mais quatro anos de Lula outra vez, e parte deixou para mudar de opinião na hora de subir no primeiro palanque da campanha municipal.
Dora Kramer - Afagos de resultados

CONGRESSO DOS EUA RESISTE E QUER MUDAR PLANO DE BUSH
Patrícia Campos Mello
O Estado de S. Paulo

Presidente do Fed tenta convencer parlamentares de que alternativa ao socorro é a recessão

O presidente do Fed, Ben Bernanke, disse ontem que os Estados Unidos podem entrar em recessão caso o Congresso não aprove o pacote para estabilizar o sistema financeiro. “Sem o programa, os mercados financeiros, já frágeis, vão piorar”, disse Bernanke, em audiência no Senado para apresentar a proposta do governo. Segundo ele, sem o funcionamento dos mercados de crédito, “o desemprego vai aumentar, mais pessoas vão perder suas casas, o PIB vai contrair e a economia não vai se recuperar”. Mesmo assim, o plano foi recebido com ceticismo por muitos senadores, que o encaram como um pacote de resgate a banqueiros, sem socorro aos mutuários afetados pela crise de crédito. Ao fim da audiência no Senado, o líder do comitê bancário, o senador democrata Christopher Dodd, disse que o pacote do governo “é inaceitável” do jeito que está. Ele criticou a falta de detalhes da proposta e disse que o projeto permitiria ao secretário do Tesouro, Henry Paulson, agir com “impunidade absoluta”.

CONGRESSO RESISTE E TENTA MUDAR PACOTE DE BUSH


Como defender o eleitor-contribuinte?
Sandra Cavalcanti
O Estado de S. Paulo

O atual presidente da República enviou ao Congresso uma proposta de reforma do processo eleitoral vigente. Não creio que tenha sido a ocasião adequada. Nem acredito que vá resultar em melhoria alguma, pois, na realidade, neste Congresso os interesses dos eleitores-contribuintes pesam muito pouco. Para ser séria e honesta a reforma eleitoral teria de começar pela adoção do Orçamento impositivo. Pode parecer a muitos que uma coisa não tem nada que ver com a outra, mas tem. Na história do mundo, os governos só existiram por conta dos tributos pagos pelos governados. Entre a tirania e a democracia, a diferença se revela na forma como o dinheiro é arrecadado. Pode ser pela força, pela violência, pela intimidação ou pode ser com a anuência e a concordância dos contribuintes. Nos países que respeitam a liberdade de seus cidadãos e o valor de seu trabalho, essa concordância se manifesta por intermédio de representantes democraticamente eleitos. É a democracia representativa.
Como defender o eleitor-contribuinte?

Importar é o que importa?
Mário Bernardini
O Estado de S. Paulo


Há 30 anos o slogan “exportar é o que importa” sintetizava o objetivo de nosso comércio exterior e a própria política industrial brasileira, ao estabelecer como prioridade a inserção do País no comércio mundial via exportação de bens e serviços brasileiros. A importação era, então, apenas um instrumento necessário para complementar a produção nacional, deixando para a exportação o papel de fomentar o crescimento da competitividade por meio de ganhos de escala e do aumento da qualidade e do conteúdo tecnológico dos produtos brasileiros, condições necessárias para atender a mercados mais exigentes e sofisticados. Trinta anos depois, parece que o slogan foi invertido não só porque a inserção foi principalmente financeira, mas também porque o avanço tecnológico aparentemente passou a ser responsabilidade da importação. É o que se deduz ao ouvirmos de autoridades do governo e de boa parte dos comentaristas econômicos frases do tipo: a redução do saldo da balança comercial é, em boa parte, “culpa” do aumento da importação de máquinas - seguida do corolário. No fundo, isso é bom porque significa que o País está investindo muito e modernizando seu parque industrial.

Importar é o que importa?

BC: déficit externo do Brasil é o pior em 10 anos
Patrícia Duarte
O Globo

ABALO GLOBAL: Analista diz que crise dificulta financiamento das contas do país, afetando mais capital de curto prazo

Com crise internacional e avanço menor do PIB, banco projeta saldo negativo 40% maior este ano, de US$28,8 bi. As contas externas do Brasil vão fechar 2008 e 2009 com os piores resultados em dez anos, como reflexo da crise internacional e da desaceleração da atividade econômica, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Este ano, as transações correntes do país - que englobam as operações com o exterior, como balança comercial, despesas com viagens internacionais, pagamento de juros da dívida, entre outros -- ficarão com déficit de US$28,8 bilhões, quase 40% a mais do que a projeção anterior do próprio BC. Para 2009, a estimativa é de déficit de US$33,1 bilhões. Os saldos negativos projetados só não são maiores do que o de 1998 (déficit de US$33,416 bilhões).
BC: déficit externo do Brasil é o pior em 10 anos

A utopia existe
Roberto DaMatta
O Globo

Se você é um neoliberal relativamente descrente das utopias, saiba que elas estão mais vivas do que nunca. Onde? Na propaganda eleitoral, é claro, onde um enlouquecido sistema de proporções que desafia o bom senso é compensado. Vendo-a, você se questiona por que todos esses projetos maravilhosos jamais foram realizados. Mas você logo percebe que - tirando as exceções de praxe - o que os candidatos oferecem são promessas. São planos ideais, musicados em samba, falados ao sabor da empatia e do sorriso, sem nenhuma avaliação de sua exeqüibilidade. E, como o candidato sabe que, uma vez "empossado", ninguém vai cobrar-lhe, porque, afinal, "aquilo foi por conta da campanha eleitoral", aquele instante de fantasias cívicas e sociais, começando pelas alianças partidárias, não é exagero ligar eleição e carnaval.
A utopia existe

Acender as velas
Coluna - Ilimar Franco - Panorama Político
O Globo
Dirigentes do PSDB avaliam que a única chance de unificar o partido em São Paulo é Geraldo Alckmin ir para o segundo turno. Se ele perder para Gilberto Kassab (DEM), haverá uma caça às bruxas, e o racha no partido ficará consolidado. Um líder tucano que acompanha a crise à distância citava ontem o ex-presidente Tancredo Neves: "Ninguém é paulista na política impunemente".
Viva o populismo!
Faz tempo que o PSDB não chama o Bolsa Família de Bolsa Esmola e se apresenta como pai do programa. A novidade é a nova postura do DEM, outrora crítico do "populismo". Em Belém, a candidata Valéria Pires anuncia o "Bilhete Amigo", transporte grátis para o trabalhador desempregado. Em Porto Alegre, Onyx Lorenzoni lança o "Passagem Única", na qual o trabalhador que pega mais de um ônibus só paga uma vez. Em Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto vai de "Agenda Família", um programa que tem como objetivo fortalecer o Bolsa Família. Pelo visto, não existem mais liberais na política brasileira. Tucano não briga em segredo, mas pelo jornal" - Sérgio Guerra, senador (PE) e presidente do PSDB, sobre a briga entre kassabistas e alckmistas em São Paulo
TRILHOS
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) está com um abacaxi nas mãos: o licenciamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho). As empreiteiras pressionam para o asfaltamento da rodovia, que corta a área mais preservada do Amazonas e hoje está intransitável. O ministro, assim como os ambientalistas, defende a construção de uma ferrovia, que causaria menos impacto. Minc alega ainda que o asfalto seria mais caro.
Acender as velas


Brasil - As commodities e o saldo comercial
Cristiano Romero
Valor Econômico

Uma das preocupações dos analistas, no meio desta crise internacional, é com o impacto que ela está tendo sobre os preços das commodities e seus efeitos sobre a balança comercial brasileira. Nos últimos dois meses, esses preços já caíram 20%. O saldo comercial do país, por sua vez, diminuiu para US$ 31 bilhões nos 12 meses concluídos em junho, face a US$ 46 bilhões em 2006 e a US$ 40 bilhões em 2007. A rápida deterioração faz alguns apostarem que o Brasil voltará a acumular elevados déficits em conta corrente, o que, num mundo de capitais hostis, dificultará o financiamento externo e forçará o governo a sacrificar o crescimento da economia, como aconteceu diversas vezes nas últimas décadas. Desafiados por esse temor, três economistas decidiram se debruçar sobre os números da balança comercial para avaliar a extensão do problema. Em estudos reveladores, que o BNDES divulga nesta quarta-feira, eles derrubam alguns mitos e mostram que, mesmo no pior cenário, não há razões para desespero.
Brasil - As commodities e o saldo comercial

Por dentro do mercado - Fluxo cambial revela contágio irrelevante
Luiz Sérgio Guimarães
Valor Econômico

A crise financeira americana ainda não pegou por aqui. O contágio que interessa, via câmbio, é diminuto. Risível se comparado aos terremotos do passado. A balança cambial de setembro (até o dia 19) mostra que, no pior momento da turbulência americana - os três dias entre terça e quinta-feira da semana passada -, a saída líquida de dólares não foi relevante. De acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central, na semana passada a perda líquida foi de US$ 870 milhões. Desse total que saiu, o BC forneceu US$ 500 milhões, por meio dos dois leilões de venda realizados na sexta-feira. Os dados de setembro confirmam a curva declinante traçada pelas intervenções oficiais. Em abril, ápice das compras deste ano, o BC adquiriu US$ 4 bilhões. O enxugamento recuou depois para US$ 2,5 bilhões em maio, US$ 2 bilhões em junho, US$ 1,7 bilhão em julho e US$ 1,2 bilhão em agosto.
Por dentro do mercado - Fluxo cambial revela contágio irrelevante

Barbas de molho: o Brasil e a crise
Coluna - Carlos Lessa
Valor Econômico
O sistema financeiro, entregue à suas próprias forças, tende a construir complexas estruturas de relações de débito-crédito e transmutações alquímicas de ativos e passivos encadeados. Estas "estruturas" fazem sua delícia durante a construção; sua montagem é sempre acompanhada ideologicamente com a exaltação das forças de mercado e antevisão de um contínuo progresso. Durante algum tempo, ajudam a "economia real" (a das forças produtivas). Porém, em suas sucessivas superposições, o "palácio de cartas" se fragiliza e, ao se desmontar, desorganiza a base produtiva. O sistema financeiro americano construiu um imenso edifício de múltiplos andares financeiros a partir dos imóveis considerados riqueza e do direito imperial de emitir a moeda do mundo capitalista. A atual crise - uma desarrumação e o encolhimento do "castelo de cartas" - poderá dar início a uma longa fase de lento crescimento da economia mundial, precedida de uma recessão com duração imprevisível. Nas praias de um país tupiniquim, criamos uma caricatura de bolha. O "castelo de cartas" americano tinha seus alicerces nas hipotecas imobiliárias que subiam de preço em função da especulação financeira. A bolha brasileira reside no endividamento familiar acelerado, com prazos estendidos e juros ultra-elevados. O brasileiro pode comprar um automóvel sem entrada e pagá-lo em até 90 prestações. Veículos, eletrodomésticos e móveis são itens frágeis para hipoteca; no caso do veículo, o devedor sabe que já perdeu 20% do valor ao retirá-lo da agência. A bolha de crédito brasileira está baseada na manutenção dos empregos e nas melhorias da renda familiar. A vantagem do banco brasileiro é o desconto em folha do crédito consignado.
Barbas de molho: o Brasil e a crise

Nenhum comentário:

Postar um comentário